Mulher com a 'pior dor do mundo' se forma em Medicina Veterinária no dia do aniversário em MG
Mulher com a 'pior dor do mundo' se forma Médica Veterinária no dia do aniversário em MG Carolina Arruda completou 30 anos na segunda-feira (29) com dois mot...
Mulher com a 'pior dor do mundo' se forma Médica Veterinária no dia do aniversário em MG Carolina Arruda completou 30 anos na segunda-feira (29) com dois motivos para comemorar. Além do aniversário, ela celebrou a formatura em Medicina Veterinária pelo Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), em Bambuí, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Segundo ela, o diploma representa a realização de um sonho de infância, adiado várias vezes por causa da neuralgia do trigêmeo, condição associada a uma das dores mais intensas descritas pela medicina. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Carolina convive com a doença há 13 anos. Nesse período, passou por 11 cirurgias, diversas internações e precisou interromper a graduação algumas vezes. Aos 30 anos, concluiu o curso e recebeu o diploma no mesmo dia em que comemorou mais um ano de vida. "Eu ganhei presente em dobro. Meus 30 anos de vida e o meu diploma tão sonhado e tão lutado. A caminhada foi tão longa, tão complicada, mas deu certo. Valeu a pena", disse emocionada. Carolina Arruda, mulher pior dor do mundo se formou em medicina veterinária Reprodução/Instagram Em 2023, com o agravamento das crises de dor, ela precisou trancar o curso. Em março de 2026, ela voltou à cidade para cumprir as horas que faltavam para concluir a graduação. A formatura foi oficializada em uma cerimônia on-line. A história de Carolina ganhou repercussão nacional por causa da rotina de tratamentos. A neuralgia do trigêmeo afeta o nervo responsável por levar ao cérebro as informações de sensibilidade do rosto. A doença pode provocar crises descritas como choques elétricos ou facadas na face. No caso de Carolina, a condição é bilateral e afeta os dois lados do rosto. Carolina contou que, antes da formatura, parou para olhar a própria trajetória como se estivesse observando a vida de outra pessoa. "Eu passei olhando minha vida de fora, como se eu fosse outra pessoa. Eu vi a minha vida inteira, tudo o que eu passei, tudo o que eu precisei fazer, todas as cirurgias, todas as dificuldades, todos esses 13 anos de doença". Ao olhar para trás, ela contabilizou os procedimentos, as internações e os momentos em que acreditou que não conseguiria seguir adiante. "Foram duas faculdades, uma filha, um casamento, 11 cirurgias, muitas e muitas internações e centenas, milhares de vezes que eu só sentava e chorava, porque eu achei que a minha vida não ia pra frente. Mas ela foi", afirmou. A conquista, segundo ela, não significa que a dor tenha desaparecido. "A dor continua a mesma, mas hoje eu estou aqui. Estou com meu diploma, estou feliz, apesar de tudo." Carolina disse que a formatura também mudou a maneira como enxerga a própria trajetória. "Eu tive uma força que eu não imaginei que teria ao longo desses anos todos, desse caminho, desse fardo inteiro que eu carreguei durante muito tempo." Emocionada, ela resumiu o sentimento diante da conquista: "Eu queria desistir todos os dias da minha vida, eu chorava todos os dias da minha vida, eu ainda choro todos os dias da minha vida, mas, me olhando de fora, eu fui forte. É isso. Eu consigo enxergar só agora. Eu estou muito satisfeita comigo." Sonho de infância Desde criança, Carolina sonhava em fazer uma faculdade e conquistar um diploma antes dos 30 anos. A doença, no entanto, fez com que esse caminho fosse mais longo do que ela imaginava. "Eu cumpri o meu objetivo de criança. Até os 30 eu queria ter um diploma, queria me formar, queria fazer faculdade. Sempre sonhei em fazer faculdade e finalmente hoje eu consegui esse feito", disse. Para ela, a formatura no dia do aniversário deu um significado especial à data. "Parece que tudo se encaixou no exato dia para cumprir o que aquela menina de alguns anos atrás, de 10, 15 anos atrás, já sonhava". A trajetória até o diploma também foi marcada por tratamentos médicos. Em 2024, Carolina passou por uma internação prolongada na Santa Casa de Alfenas, no Sul de Minas, onde foi submetida a procedimentos para tentar controlar a neuralgia do trigêmeo. Em 2025, ela também passou por sedação profunda com cetamina, na tentativa de fazer o organismo voltar a responder aos tratamentos. Além de compartilhar a própria experiência nas redes sociais, Carolina fundou a Associação de Neuralgia do Trigêmeo Brasil (ANTBR), voltada à conscientização sobre a doença. Ao receber o diploma, ela celebrou o cumprimento de uma promessa feita à menina que sonhava, muitos anos atrás, em chegar aos 30 anos com um diploma nas mãos. "Estou muito mais leve, muito agradecida e, principalmente, muito orgulhosa de mim mesma." Carol Arruda em momento de crise durante tratamento da neuralgia do trigêmeo LEIA TAMBÉM: 'Pior dor do mundo': entenda o caso da jovem que luta contra a neuralgia do trigêmeo Jovem com 'a pior dor do mundo' retoma faculdade de medicina veterinária Quem é Carolina Arruda? Carolina Arruda é natural de São Lourenço, no Sul de Minas, e morou em Bambuí, no Centro-Oeste onde cursou medicina veterinária. Casada e mãe de uma menina, a mulher começou a sentir as dores aos 16 anos, durante a gravidez e a recuperação de uma dengue. Ela ganhou notoriedade nacional em julho de 2024 ao revelar o desejo de recorrer ao suicídio assistido na Suíça, país onde o procedimento é legalizado, devido à dor e ao desgaste causados pela doença. O que é a neuralgia do trigêmeo? A neuralgia do trigêmeo é uma doença neurológica rara que provoca dores intensas no rosto, frequentemente comparadas a choques elétricos. A condição afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da face, e as crises podem ser desencadeadas por ações simples, como falar, mastigar ou escovar os dentes. A doença atinge menos de 0,3% da população mundial. No caso de Carolina, a condição é ainda mais rara, pois ela sente dores contínuas nos dois lados do rosto. Quando começaram os sintomas? Carolina começou a sentir as primeiras dores aos 16 anos, durante a gravidez e enquanto se recuperava de uma dengue. No início, os sintomas foram confundidos com problemas odontológicos. Somente após exames detalhados os médicos confirmaram o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo. O atraso fez com que o tratamento adequado começasse mais tarde. Como era a vida dela antes do diagnóstico? Antes do surgimento da doença, Carolina estudava e trabalhava normalmente. Ela tinha planos acadêmicos e profissionais, mas precisou interrompê-los quando as crises de dor se intensificaram. Como a doença afeta a rotina dela? A neuralgia do trigêmeo faz com que atividades simples, como escovar os dentes, falar ou mastigar, possam causar dores intensas. Quais tratamentos ela já fez? Carolina passou por diferentes tratamentos, incluindo uso de medicamentos, sessões de radiocirurgia, fisioterapia e uma cirurgia de descompressão do nervo trigêmeo. Os resultados, porém, foram temporários, e as crises voltaram. O procedimento mais recente foi uma sedação profunda, feita com o objetivo de "reiniciar" o cérebro e melhorar a resposta aos medicamentos. Segundo ela, não houve melhora. Pelo contrário, os sintomas ficaram ainda mais intensos, e Carolina decidiu dar um tempo nos tratamentos médicos para priorizar o cuidado emocional. Carol vai continuar em tratamento? Carolina afirmou que não pretende passar por novas cirurgias ou procedimentos experimentais, mas seguirá com os tratamentos já implantados, como a bomba de fármacos e os eletrodos. Segundo o médico responsável, novas intervenções invasivas foram descartadas. A prioridade, agora, é preservar o conforto, a funcionalidade e respeitar a vontade da paciente. VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas